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Estão próximas as eleições regionais na Região Autónoma da Madeira, sublinhe-se o facto de, propositadamente, se enfatizar o facto de a Madeira ser uma Região Autónoma deste país.

 

No artigo de ontem, abordei a deriva civilizacional e económica da União Europeia, hoje, a par das críticas que há a fazer à fragmentação da união e aos jogos ideológicos, assistimos a um desvio, se é que se pode falar em desvio quando na Madeira a forma de estar na política permanece a mesma de sempre, ainda assim, um desvio à expectativa que quanto mais avançássemos no novo milénio, na percepção do homem e da sociedade, dos valores e da política, mais cedo terminaria a populista política madeirense.

 

 

Infelizmente isso não aconteceu e, depois das últimas notícias, tão cedo não vai acontecer. É certo que não conhecemos outra forma de se “debater” os “problemas” da Madeira do que aquela a que Alberto João Jardim nos habituou ao longo do seu “reinado”. A verdade, e é preciso encará-la como é, triste e cruel, é que não há política na Madeira, pelo menos não aquela Política clássica das virtudes da Res Publica, durante mais de quatro décadas o que temos vindo a assistir vindo da pérola do Atlântico é o confronto pessoal a roçar o ridículo, o achincalhamento do ordenamento institucional português, a devassa da coisa pública onde praticamente não há fronteiras entre o que é a esfera pública e os desvaneios pessoais.

 

No meio desta hecatombe, tolerada pela nação, não só pelos “governos de Lisboa”, como Jardim aprecia dirigir-se ao Governo da República, eleito por sufrágio directo e universal onde se inclui a população da Madeira, hecatombe tolerada por todo um país, desde o Minho ao Algarve e, consoante as marés pudessem ser favoráveis, não só tolerada como acabrunhadamente apadrinhada pelo, ainda assim mais sensato, Governo da Regional dos Açores.

 

Lisboa, Porto, Santarém, Faro, Guarda e Ponta Delgada, bem como todo o país, foram coniventes com decrépito espectáculo mantido pelo protectorado da Madeira, uma terra que não convém separar-se do continente e ilhas porque, enfim, parece mal, fere-nos o orgulho como cidadãos nacionais, mais do que os constantes atropelos à ética e ataques às instituições nacionais do Governo da República, essa entidade que é una e indivisível, mas que, parece, gosta de brincar aos governos provinciais e tolerou Jardim mantendo-o como a mascote rebelde e tropical do Portugal Ultramarino.

 

O Governo e a Presidência da República falharam ao deixarem-se ser ridicularizados por um homem que um dia ascendeu ao governo da sua ilha, falharam ao permitir que os contribuintes pagassem as espalhafatosas inaugurações, todo o “imenso património” da Madeira, do qual nem sempre gostam de expor, igualmente, a sua “imensa dívida proporcional”, enquanto outras regiões do país foram sendo esquecidas no tempo a sua aparente longinquidade.

 

Mas quando o “Grande Ditador”, cómico quanto baste, mordaz e egocêntrico, desaparece cena “política”, talvez desaparecer não seja o termo correcto, talvez possamos falar em férias ou alguma diminuição à exposição social, quando aparentemente temos a luz ao fundo do túnel da normalização e racionalização da Política local, infelizmente não se pode dar os louros à população da região que foi a principal impulsionadora do triste circo insular e que deveria a ser ela própria a levar as mãos à consciência e auto-incutirem um pouquinho de responsabilidade para com o país e com os demais contribuintes, quando estamos perante a tão propalada “mudança” eis que algo acontece.

 

“Mudança”, palavra tão usada por quem realmente não quer mudar nada, “mudança” fica sempre bem em qualquer campanha política, ao longo destas décadas de “liberdade” a “mudança” já foi tão intensamente invocada, mas a única coisa que muda são as caras, os princípios, ou falta deles, são sempre os mesmos, as promessas são sempre as mesmas, as mentiras são sempre as mesmas, os resultados económicos são sempre os mesmos e, fundamentalmente, até provavelmente seja essa a razão, os partidos são sempre os mesmos, isto porque infelizmente, a mentalidade dos portugueses é sempre a mesma: Voltar a tocar o mesmo disco na hora de colocar a cruz no boletim de voto.

 

Pois bem, “mudança” é o que promete, uma vez mais, o Partido Socialista. Como é que o PS pretende essa mudança? Insistindo na mesma fórmula de campanha do Jardinismo, o populismo, o arraial, as fêveras e o garrafão, o lápis e a caneta de oferta para gáudio, regalo e contentamento do povo. O PS, neste momento de mudança resolve “mudar” com concertos estrelados por Quim Barreiros, na esperança que, por entre as cabritinhas e meter o carro na garagem, a populaça lá ouça umas larachas, enquanto esperam pelo divertimento, gratuito, e pelo ídolo Barreiros, lá ficam os votantes a engolir as palavras proféticas e promessas tão distantes quanto Lisboa está do Funchal. Nem imaginaríamos que aguentassem o sacrifício de ficar ali ao frio, ao vento e à chuva só para ouvirem atentamente as palavras que o PS (e os outros também) têm para lhes dizer, ou isso, ou para o candidato que se segue no microfone, o excelso Quim Barreiros.

 

Mas que ninguém pense que a “mudança” do PS passa só por manter o ambiente de arraial na discussão dos “problemas” da Madeira, essa “mudança” obtém-se também com a profícua aliança com José Manuel Coelho, ilustríssimo doutor da causa pública, do qual todos nos podemos orgulhar dos seus tratados politico-filosóficos e das suas teses sócio-económicas, nem a Merkel nem Tsipras se lhe conseguem igualar na hora de discutir ideologias.

 

Não falo dos restantes partidários da coligação da “mudança” por desconhecer a sua actuação, apenas pelo mal que se aponta ao PS.

 

Fica assim bem vincado que, o marasmo político e a quebra de valores continuará a ter no PS Madeira um bom aliado para ajudar a afundar ainda mais a já parca consciência cívica nacional.

 

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