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À data da publicação deste artigo a situação nacional poderá já ser diferente. Na Segunda-feira o país assistiu ao pedido de demissão de Vitor Gaspar, disse, o próprio, que a sua demissão havia sido equacionada à vários meses, a verdade é que há medida que o tempo ia passando o Governo de Pedro Passos Coelho caminha para um fim abrupto. Com apenas metade do tempo da legislatura decorrido o Governo tornara-se na sua essência ilegítimo, não porque não o tivesse sido eleito de forma democrática mas porque o contrato eleitoral há muito que tem vindo a ser constantemente quebrado.

 

Desde sempre acompanhado de figuras polémicas cujo expoente máximo centrava-se na figura de Miguel Relvas, a governação social-democrata e em especial o estilo e modus operandi decalcada da visão alemã para a resolução dos problemas financeiros das finanças públicas tiveram um efeito devastador na economia tanto pública como privada.

 

O recurso exagerado à austeridade resultou no falhanço monumental das políticas públicas de combate à crise. Numa perspectiva microeconómica a receita imposta pela Troika resultaram num aperto à liberdade de crescimento das empresas, em especial das Pequenas e Médias Empresas, retirando-lhes qualquer possibilidade de produzirem investimento pela esmagadora carga fiscal que é imposta às empresas e àqueles que lhes deveriam fazer escoar a produção, isto é, à população, pelo que somando à incapacidade para fazer investimento a incapacidade do mercado em adquirir bens e serviços obtemos a receita própria da recessão. Num plano macroeconómico o constrangimento imposto a cada agente económico implica a contracção das transacções económicas e financeiras fazendo reduzir de forma geral o PIB e, consequentemente, a receita fiscal. Esta implicação económica é traduzida na cada vez mais famosa Espiral Recessiva.

 

Um exemplo deste atropelo às leis económicas foi o caso do IVA na restauração onde ao invés de se obter maior receita fiscal, pelo contrário, o Estado viu um decréscimo no valor bruto do imposto recebido.

 

O modelo imposto pela Troika está, de facto, errado e não logrou resultados satisfatórios nos países intervencionados. A Grécia já perdeu três preciosos anos e a cada dia que passa o a sociedade grega vai-se precipitando para o caos geral e as tentativas de colocar o Estado Português num mesmo patamar comparativo com a Irlanda é uma falácia que visa única e exclusivamente tentar vender um modelo de reorganização económica que matou gradualmente a economia nacional já que o caso Irlandês teve origem numa intervenção na crise provocada pelo colapso do mercado imobiliário e por arrastamento do sistema bancário, isto é, um problema conjectural e não estrutural, um problema momentâneo e não continuado como é o caso de Portugal.

 

Hoje o país vê-se carregado com um fardo que vai demorar décadas a suportar, a começar pelas tranches já recebidas da falsa ajuda externa, que terão que ser pagas com juros no futuro sem que delas se extraísse alguma alavancagem económica. E, pior que isso, o cenário conjectural em nada se alterou, pelo contrário, agravou-se, a dívida pública continua a aumentar, porém, se antes a situação era limite, hoje, com a contracção resultante da política de austeridade, ainda mais agoniante é o cenário nacional.

 

Foram, de facto, dois anos perdidos cuja única diferença que se extraiu foi o aumento dos encargos com o serviço de dívida pública, o aumento do desemprego, o aumento do custo de vida, dos impostos, das taxas públicas, a dificuldade financeira no acesso ao serviço nacional de saúde, aos transportes, à justiça, à educação, a toda a administração pública e serviços públicos e bens essenciais.

 

É um Governo a conta-gotas, em duodécimos, que vai caindo fruto da sua própria erosão, agora é hora de deitar contas à vida pública.

 

Apenas é necessário ressalvar que a situação nacional exige de todos os portugueses uma reflexão séria e profunda, porque a cada palpitação que o Governo vai cair, os olhares dos grupos de comunicação nacionais viram-se para o Partido Socialista. Basta ver os painéis de comentadores em antena livre, na sua esmagadora maioria provenientes dos quadros quer do Partido Social Democrata quer do Partido Socialista.

 

Ora, esta visão está a ser imposta à nação, como se, neste momento, o Partido Socialista fosse a única solução viável para o país, o que em opinião pessoal, não é. Os últimos 40 anos de democracia estão cá para o provar, se chegámos onde chegámos deve-se única e exclusivamente à alternância entre sociais-democratas e socialistas e, a mais ningué, já que o argumento da crise mundial não colhe, pois Portugal está em crise e sempre se afastou da média europeia em praticamente todo o tempo da 3.ª república.

 

Portanto, a reflexão que proponho é, todos pensarem que há mais concepções sociais e económicas para além do que tem vindo a ser imposto pelos partidos da Troika interna, PS, PSD e CDS. Nem há que ter relutância em aceitar que o modelo preconizado pelas duas Troikas, a de fora e a de dentro, está errado desde o seu núcleo e que chegou a altura de entregar o poder a outros políticos, a outras forças, que nunca puderam colocar em prática a sua visão.

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